PE: MUITA CHUVA, DESCASO GOVERNAMENTAL E MORTES
ATÉ O MOMENTRO, SÃO QUATRO MORTES E UM DESAPARECIDO
Toda estação chuvosa vira notícia de morte anunciada. Casas soterradas, famílias desalojadas, perdas que poderiam ser evitadas. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Brasil tem milhões de pessoas vivendo em áreas de risco, um cenário conhecido, mapeado, mas não resolvido. Só que, dinheiro existe para mídia, propaganda, festas, artistas, supérfluos... carnaval, politicagem, etc.
Em resumo: Não é a chuva que mata. É a ausência do Estado antes dela. E enquanto a prevenção continuar sendo tratada como gasto e não como dever, a história vai se repetir, como um velho rio que insiste em transbordar onde nunca deveria haver moradia.
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) colocou a Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte em Estado de Alerta, com aviso meteorológico vermelho, o mais grave. As fortes chuvas que acometem as duas regiões causaram transtornos em diversas cidades pernambucanas. Os celulares alertando via Defesa Civil e fazendo tremer a população que mora nas proximidades de barreiras e áreas ribeirinhas.
Recife, Olinda e São Lourenço da Mata, alguns locais onde alagamentos. O caos não foi maior por hoje ser feriado de Dia do Trabalhador. Paulista pela PE-15 por um lado na Cid. Tabajara e, na BR 101 Norte na Guabiraba, basta chover e nada passa.
Em Timbaúba, a Prefeitura decretou situação de emergência após chuvas intensas atingirem 110 milímetros acumulados de chuva, especialmente nos bairros situados próximos a rios e riachos.
O Rio Capibaribe, que corta várias cidades no Grande Recife, também atingiu a cota de alerta, cuja noticia se espalhou e deixou muitos com medo. Por causa disso, os municípios de São Lourenço da Mata, Camaragibe e Recife devem permanecer em atenção com a possibilidade de inundação.
Já em Vicência e Aliança, estão sendo afetados pelo extravasamento do Rio Sirigi, que atingiu a cota de inundação na manhã desta sexta-feira (1º). O alerta para risco também foi emitido para os municípios de Nazaré da Mata, Itaquitinga e Goiana, já que o Rio Tracunhaém atingiu a cota de alerta por causa das chuvas.
A parte triste das chuvas desta Sexta-Feira, deixa um saldo de muitas perdas materiais com desabrigados e desalojados em todo o Estado. Além de 06 mortes; sendo 02 mortes em Olinda, uma mulher de 20 anos e o filho de seis meses. No Recife 03 mortes, uma Mãe de 24 anos, filho de seis anos e a filha de Um ano e seis meses. Esta ainda foi socorrida ao HR, mas não resistiu. Em São Lourenço, um homem não identificado caiu num córrego e depois foi encontrado o corpo.
Acumulado de chuvas
Segundo o painel de monitoramento da Apac, até às 10h19, os locais com maiores acumulados de chuvas nas últimas 24 horas foram os municípios:
Abreu e Lima: 199 mm
Goiana 196 mm
Paulista: 189 mm
Camaragibe: 187 mm
Olinda: 184 mm
Igarassu: 183 mm
Moreno: 179 mm
Recife: 165 mm
A previsão é de que as chuvas intensas continuem até o sábado (2). Conforme a Apac, isso acontece por conta da Zona de Convergência Intertropical, faixa de nuvens que se concentra nas áreas próximas à Linha do Equador.
A orientação para o Grande Recife e Zona da Mata Norte é que a população siga as orientações da Defesa Civil de suas cidades. Já para a Zona da Mata Sul e o Agreste do estado, a Apac prevê chuva moderada a pontualmente forte até o sábado (2).
Confira os telefones da Defesa Civil no Grande Recife:
Recife: 0800.081.3400 (ligação gratuita, 24 horas);
Abreu e Lima: (81) 97347-2443;
Araçoiaba: (81) 3543.8983;
Cabo de Santo Agostinho: 0800.281.8531;
Camaragibe: (81) 2129.9564, (81) 99945.3015 e 153;
Igarassu: (81) 99460-9073;
Itamaracá: (81) 3181-2490 e 199;
Ipojuca: (81) 99231.8607 (telefone e WhatsApp);
Itapissuma: (81) 98844-5216;
Jaboatão dos Guararapes: (81) 3461.3443 e (81) 99195.6655;
Moreno: (81) 98299.0974 e (81) 98128.2018;
Olinda: (81) 99266.5307 e 0800.081.0060;
Paulista: (81) 99784-0270 e 3371-7992;
São Lourenço da Mata: (81) 98338.5407.
O que infelizmente repete-se:
A população desatenta com os políticos, cujo planejamento nunca sai do papel. Mapas de risco existem, estudos também. Órgãos como o Serviço Geológico do Brasil e o Ministério das Cidades já identificaram milhares de áreas vulneráveis. Mas a ação concreta — contenção de encostas, drenagem, reassentamento — fica travada ou abandonada.
Obras emergenciais no lugar de prevenção. O poder público age depois da tragédia. Faz paliativo: limpa canal, tapa buraco, distribui lona. Prevenção estrutural (macrodrenagem, urbanização, habitação segura) é deixada de lado. Fiscalização severa, leis duras e punição pesada contra desobedientes, não existe. Tanto por parte da Gestão, Empreiteira e População.
Falta de manutenção básica. Bueiros entupidos, canais assoreados, lixo acumulado. Isso transforma chuva comum em desastre. Segundo a Agência Nacional de Águas, a drenagem urbana mal mantida é um dos principais fatores de alagamentos no país. Nos canais, encontra-se: pneus, geladeiras, sofá, resíduos sólidos. Onde só era para passar água. E a inda tem gente que diz que a culpa é do governo, por não limpar o canal que tem obstáculos. A água não passa, aí volta, invade, destrói, causa perdas, doenças e mortes.
Ocupação irregular ignorada por conveniência. Áreas de risco continuam sendo ocupadas, às vezes só com cadastro social e promessa. Não há política contínua de habitação que retire famílias dessas zonas. Assim, o caos se repete.
Defesa Civil subfinanciada, na maioria dos casos, atua com equipe reduzida, pouca estrutura e ação limitada ao alerta e resposta, quando deveria ter força também na prevenção.
Orçamento mal executado. Recursos até existem, mas não são plenamente usados ou são desviados para outras prioridades. Relatórios do Tribunal de Contas da União mostram falhas recorrentes na execução de verbas para prevenção de desastres.
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